segunda-feira, 9 de maio de 2016

Sabe Tudo?

Queria ter escrito sobre isso na quinta-feira, mas não deu. Muita coisa aconteceu, se passou. Só sei que quando bate a vontade de escrever o ideal seria ir direto fazer isso, escrever. 

Eu cresci sendo uma criança com "síndrome de sabe-tudo". Curiosa e amante de leitura, passava horas e horas da minha vida absorvendo, por vontade própria, conteúdos diversos de assuntos variados: saúde, moda, casa, curiosidades, artesanato, arquitetura, design, estilo de vida, planetas, vida em outros planetas, religião, literatura, animes, música, etc.



Na minha pré-adolescência e adolescência a minha crise de baixa auto-estima em relação aos meus atributos físicos, e meu senso moral de responsabilidade quanto aos gastos absurdos que meus pais tinham para garantir minha boa educação, me motivaram a me dedicar e engajar nos estudos, e ser sempre a "certinha". 

Eu queria ser inteligente. Mesmo dizendo que não, no fundo eu gostava de chamar a atenção por meu intelecto e ser reconhecida por ele. Por isso tirar uma nota vermelha era mais traumatizante e frustrante do que levar um fora de um garoto qualquer, ou ser chamada de gorda e vassoura de bruxa (por causa do meu cabelo). Dizer pra mim "Natasha você está linda" nunca era tão bom, gratificante, e revigorante, quanto ouvir algo como "Puxa, amei aprender isso com você!" ou "Amei conversar com você!", ou "Caramba, ein, você sabe tudo!" (Mesmo eu não sabendo). Até porque eu não acreditava em ninguém que me dizia que aquela coisa que eu via no espelho era bonita, enfim, não falemos sobre isso.



Até pouco tempo atrás eu acreditava que não era uma pessoa competitiva, pra mim o importante sempre foi participar, ganhar ou perder não importava, tanto é que na maioria dos jogos eu sempre fiquei para trás e não ligo. Mas descobri que sim, eu sou bastante competitiva: na arte da conversação. Eu não sei conversar, eu sei "professorar".


Calma, não estou falando que eu faço monólogos onde ninguém entra (Bem, eu faço isso as vezes, quer dizer, muitas vezes, mas não é essa a questão), mas sobre prestar atenção e absorver o que o outro tem a dizer sem necessariamente contra-argumentar.

Existe uma frase muito sábia que diz "Você prefere ter razão ou ser feliz?". Eu achava que havia escolhido ser feliz, mas a verdade é que na maior parte da minha vida, e até hoje, costumo escolher ter razão. Não ter resposta para algo, não ter algo que contraponha ou comprove o meu ponto de vista me faz ficar extremamente frustrada. Eu não sei quando parar e isso afasta as pessoas. É claro, ninguém gosta de conviver com alguém que está sempre certo, ou que nunca admite estar errado, ou que quando "perde" uma discussão fica com raiva, vira as costas, ignora, não dá o braço a torcer e se frusta. 



Me sentir "burra" é meu ponto fraco. Não há nada que me deixe mais insegura no mundo do que não saber o que dizer, descobrir que estou errada. Isso não passa de ORGULHO. A mazela humana que NINGUÉM nessa Terra consegue se livrar completamente.

"Se você não sabe de algo, finja que sabe! Mas finja tão bem que até você acredite que realmente sabe!". Esse é o lema do falso sábio, do perfeccionista, do orgulhoso, do sabe-tudo. No fim ele é só um tolo, assim como eu. 

"Mas Natasha, você está falando sobre isso, está admitindo que está errada!!!" Sim! Estou! Porque agora eu percebo quando estou frustrada, e tento mudar isso. Eu estou começando a ouvir. E ainda fico triste por falhar nisso, kkkk. Que coisa ein? Frustração e tristeza por estar frustrada e triste. Fazer o quê, pelo menos agora eu sei perceber. 

1 comentários:

Natália Maria disse...

"Só sei que quando bate a vontade de escrever o ideal seria ir direto fazer isso, escrever." Essa frase me definiu. literalmente.
Ando me sentindo frustada por algumas coisas ultimamente e sei (mais ou menos) o que você sente. Mas força menina, toda mudança tem que ser para melhor.