segunda-feira, 29 de junho de 2015

Esperando - Ficction.

Eu não sabia o que esperar. Mesmo tendo aguardado ansiosamente por este dia, eu acordei meio insegura. Que horas você chegaria? Tomei meu café da manhã um tanto quanto distraída.

Debaixo do chuveiro eu cantava sorrindo e depois me auto-repreendia. Sonhar acordada não ajuda, só causa frustração e eu não queria construir nenhuma expectativa, especialmente involuntariamente. "Eu controlo a minha mente".

A roupa estava separada desde a noite passada. Uma blusa nova. Calça. Sapatinhas ou sapatinho? Sapa-tênis? Salto não. Mas aquela sandália meia pata é tão linda! Mas eu fui racional. Hoje o conforto vem antes da beleza, afinal, não faço ideia dos seus planos. Então porque diabos escolhi a sapatilha? Prevejo bolhas e algumas feridas, mas ela combina tão bem com o meu batom, que não é novo, mas disfarça minha cara de doente.
Droga, meu cabelo resolveu brigar comigo. Novidade.

Me olhei no espelho, até que estava decente. Essa blusa realmente me valorizou. Ai, não acredito que comprei roupa nova pra isso. Não, não, eu comprei pra mim, de forma alguma foi para parecer mais bonita e causar um boa impressão para você. Ok, talvez um pouco.

Sentei em minha cama com as pernas cruzadas, coloquei uma almofada no colo e peguei o celular. Abri o Whatsapp e reli nossa troca de mensagens umas três vezes. Não tirei print de nenhuma. Não faço isso, pelo menos não mais...

As mensagens dele estão guardadas em algum lugar no meu HD externo. Sei que deveria, mas não tive coragem de apagar, ainda dói um pouco ver as imagens ali, mas isso é bom. É bom para eu me lembrar que devo ser paciente, que não devo ser impulsiva, e que não devo jamais acreditar em algo que parece, mas não é. Lembretes do que não fazer. Eu era tão ridícula.

De repente senti um calafrio. Oh oh, isso não foi bom. Medo. Medo de cair na mesma armadilha de novo. Mas você é diferente, eu sei. Hey, pera lá! "Ana, não é um encontro. É uma saída de amigos." disse pra mim mesma. Mas não foi assim que começou da outra vez? Não, eu sei, fui eu que convidei. Fui eu que fui atrás, fui eu que quis me enganar. Dessa vez era um convite inesperado, algo me dizia que dessa vez tudo ia dar certo, ou quase.

Não é tão forte com você quanto foi com ele, ou melhor, tão intenso. Com ele eu chorei desde a primeira conversa, foi algo do fundo da alma, eu sentia o que ele sentia, eu quase podia tocar. Eu me abri e mostrei a minha faceta mais bem guardada.  Minhas lágrimas, minhas angústias, minhas inseguranças. Ele me acalmava. Havia um cheiro, havia uma música ressoando, havia alguma coisa naquele abraço que confortava e ao mesmo tempo queimava. Eu o desejei sem poder tê-lo. Eu me maldisse por amá-lo. Eu conheci o ciúme. Eu experimentei um monte de primeiras vezes, não todas, não "aquela", mas foram primeiras vezes. Perto dele era leve e bom, eu era quem eu queria ser, eu era a eu tão fácil. Exceto quando ele falava aquele nome. O nome dela, dela que eu também amava como irmã. Eu insistia em uma fantasia, e fiz coisas das quais odeio lembrar. Longe dele eu mal conseguia respirar, era uma tristeza sem fim. Seu sumiço era agonizante. Eu chorei tanto, por tanta coisa. Era um turbilhão de culpa, raiva, ciúme, alegria, euforia, alguma calmaria, mas muitas lágrimas.

- Eu não confio mais em você. - ele disse certa vez.

Aquilo me atravessou tão forte que pela primeira vez na vida eu senti o que as pessoas definem como "uma flecha atravessando do peito", doeu de um jeito tão ruim... tão ruim. Foi quando eu decidi desistir. Mas não foi fácil. Demorou. Aliás, você me pegou na semana em que eu quase esqueci. Realmente, você me fez esquecer por algum tempo. Depois por mais tempo. Depois pro muito tempo. Mas lembranças como aquelas não se esquece de uma vez.

Enfim, lembrar me deixa triste e eu não queria ficar triste, não hoje. Eu gosto do seu jeito, gosto quando sorri, mas eu tenho uma ferida. Você me ajudaria a sarar? Talvez eu tenha sim uma expectativa afinal: que você seja o meu resgate. Estou esperando, e não me importa mais saber onde vai me levar. De alguma forma sinto que vai ser bom, você me faz bem.

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